07:59 | Author: Mundo Zazen


Nosso velho amigo dukkha surge na mente como insatisfação causada por todos os tipos de estímulos. Pode ser disparado pelo desconforto corporal, mas mais freqüentemente é causado pelas próprias aberrações e convulsões da mente. A mente cria dukkha e é por isso que realmente precisamos vigiar e cuidar das nossas mentes.

A nossa própria mente pode fazer com que sejamos felizes, a nossa própria mente pode fazer com que sejamos infelizes. Não existe nenhuma pessoa ou coisa em todo o mundo que possa fazer isso por nós. Todas as ocorrências funcionam para nós como estímulos que constantemente nos pegam de surpresa. Por conseguinte, precisamos desenvolver uma atenção intensa em relação aos nossos momentos mentais.

Dukkha é criado por nós mesmos e perpetuado por nós mesmos. Se formos sinceros no nosso desejo de eliminá-lo, temos de observar a mente com cuidado, para obter o insight daquilo que realmente está ocorrendo no nosso íntimo. O que nos está estimulando? Existem inúmeros estímulos, mas existem apenas duas reações. Uma é a equanimidade e a outra é o desejo.

Ayya Khema

Se cortarmos um tronco de árvore e o jogarmos num rio e ele não afundar ou apodrecer, nem ficar preso nas margens do rio, esse tronco irá com certeza chegar ao mar. A nossa prática é igual. Se você praticar de acordo com o caminho estabelecido pelo Buda, seguindo-o com rigor, você irá transcender duas coisas. Quais duas? Exatamente os dois extremos que o Buda disse não ser o caminho do verdadeiro meditador - entregar-se ao prazer e entregar-se à dor. Essas são as duas margens no rio. Uma das margens do rio é a raiva, a outra a cobiça. Ou você pode dizer que uma margem é a felicidade e a outra a infelicidade. O "tronco" é a mente. À medida que "fluir rio abaixo" ela irá experimentar a felicidade e a infelicidade. Se a mente não se apegar a essa felicidade ou infelicidade, chegará ao "oceano" de Nibbana. Você deve ver que não existe nada além de felicidade e infelicidade surgindo e desaparecendo. Se você não "ficar preso" nessas coisas, então você estará no caminho de um verdadeiro meditador.

Esse é o ensinamento do Buda. Felicidade, infelicidade, cobiça e raiva simplesmente existem na Natureza de acordo com a invariável lei da natureza. A pessoa sábia não os segue ou estimula, ela não se apega a eles. Essa é a mente que não se entrega ao prazer e não se entrega à dor. É a prática correta. E como aquele tronco de madeira irá finalmente chegar ao oceano, assim também a mente que não se apega a esses dois extremos irá inevitavelmente alcançar a paz.

Ajaan Chah

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