09:22 | Author: Mundo Zazen


"Amigos,

Este é o tempo, o tempo propício para um manifesto Zen.

A inteligencia ocidental tornou-se familiarizada com o Zen, apaixonou-se pelo Zen, mas ela ainda está tentando abordar o Zen a partir da mente. Ela ainda não chegou à compreensão de que o Zen nada tem a ver com a mente.

A tarefa extraordinária do Zen é livrá-lo da prisão da mente. Ele não é uma filosofia intelectual; ele não é uma filosofia de jeito algum. Nem é uma religião, porque ele não tem ficções, nem mentiras, nem consolações. Ele é um rugido de leão. E a maior coisa que o Zen trouxe para o mundo é a liberdade de si mesmo.

Todas as religiões têm falado a respeito de abandonar o ego – mas este é um fenômeno muito estranho: eles querem que você abandone o seu ego, e o ego é exatamente a sombra de Deus. Deus é o ego do universo, e o ego é a sua personalidade. Assim como Deus é o centro exato da existência, de acordo com as religiões, o seu ego é o centro de sua mente, de sua personalidade. Todos eles têm falado a respeito de abandonar o ego, mas ele não pode ser abandonado a não ser que Deus seja abandonado. Você não consegue cortar uma sombra ou um reflexo, a não ser que a fonte de sua manifestação seja destruída.

Assim, as religiões têm dito continuamente, por séculos, que você deve se livrar do ego – mas por razões erradas. Eles estiveram lhe pedindo para abandonar o seu ego para que você possa se entregar a Deus, para que você possa se entregar aos sacerdotes, para que você possa se entregar a todo tipo de tolices, a todo tipo de teologia, superstição, sistema de crenças. Mas você não consegue abandonar o ego se ele é um reflexo de Deus. Deus é uma mentira, lá fora no universo, e o ego é uma mentira dentro de sua mente. A sua mente está simplesmente refletindo uma mentira maior de acordo com o seu tamanho.

As religiões colocaram o homem num grande dilema: eles ficaram louvando a Deus e ficaram condenando o ego. Assim as pessoas ficaram num estado de divisão, num espaço esquizofrênico. Elas tentaram arduamente abandonar o ego, e quanto mais arduamente elas tentaram, mais difícil de ser abandonado ele se tornou – porque, quem iria abandoná-lo? O ego estava tentando abandonar a si mesmo. Isto é uma impossibilidade. Assim, mesmo nos mais humildes dos chamados povos religiosos, o ego se torna muito sutil. Mas ele não é abandonado. Você pode ver isso nos olhos de seus santos. (...)

Eu disse que todas as religiões estão pregando, ‘Abandone o ego.’ O Zen continua além do ego e além do self. Exceto o Zen, nenhuma religião chegou no ponto de ir além do self, além do atman, além de seu espírito, além de sua individualidade. Isto é absolutamente uma contribuição de um simples homem à consciência humana – Goutama Buda.

O Zen é o florescimento maior. Pouco a pouco, aperfeiçoando a imagem de Goutama Buda, cada mestre contribuiu com alguma coisa, uma nova dimensão. Goutama Buda é a única pessoa em toda a história da humanidade que disse, ‘Simplesmente abandonar o ego não vai ajudar. Ele pode ser abandonado facilmente se você abandonar Deus.’ Ele abandonou Deus e o ego desapareceu. A lua desapareceu. O reflexo desapareceu. Ele saiu do espelho, o espelho estava vazio. O seu reflexo no espelho desapareceu. Ele estava lutando com o reflexo. (...)

Gautama Buda abandonou a idéia de Deus, e foi incrível que à medida que Deus desapareceu, o ego desapareceu. Ele era apenas um reflexo de Deus. Daí o meu esforço para remover Deus. Sem remover Deus você não consegue remover o ego. Ele é a sombra da mentira maior no pequeno lago de sua mente. Então, à medida que o ego desapareceu com Deus, Buda veio a compreender que mesmo o self tinha que desaparecer.

Existem religiões que têm Deus, ego e o self: Judaismo, Cristianismo, Maometismo, Hinduismo. E existem religiões que não têm Deus – Taoismo, Budismo, Jainismo – mas elas têm o self. Porque elas não têm Deus, o ego desaparece por si próprio. Agora, todo o esforço delas é como fazer o seu self puro e piedoso.

Buda é o único homem que disse, ‘Se não existe Deus, não existe ego, o self também é arbitrário e artificial. Conforme você for mais profundo em sua interioridade, você de repente se descobre desaparecendo no oceano da consciência. Não existe nenhum self como tal. Você não é mais, somente a existência é.’

Então, eu chamo o Zen essencialmente liberdade de si mesmo. Você tem ouvido a respeito de outras liberdades, mas liberdade de si mesmo é a maior liberdade - não ser e permitir que a existência se expresse em toda a sua espontaneidade e grandeza. Mas é a existência, não você, não eu. É a vida dançando, ela mesma, não você, não eu.

Este é o Manifesto Zen: liberdade de si mesmo.

E somento o Zen refinou, nesses vinte cinco séculos, métodos e dispositivos para fazê-lo consciente de que você não é, de que você é arbitrário, apenas uma idéia.

À medida que você vai além da mente, mesmo a idéia de ‘eu sou’ desaparece. Quando o ‘eu’ desaparece e você começa a sentir um profundo envolvimento na existência, sem quaisquer limites, somente então o Zen floresceu em você. Na verdade, este é o estado, o espaço da consciência desperta. Mas ele não tem qualquer ‘eu’ no centro, nenhum atman, nenhum self.

Para tornar isso claro para você... Sócrates diz ‘Conheça a si mesmo.’ Goutama Buda diz, ‘Conheça – apenas conheça, e você não encontrará a si mesmo.’ Entre profundamente em sua consciência, e o mais profundo que você for, o seu self começa a se dissolver. Talvez essa seja a razão porque nenhuma das religiões, exceto o Zen tenha tentado meditação – porque meditação destruirá Deus, destruirá o ego, destruirá o self. Ela o deixará no nada absoluto. É apenas a mente que o faz ter medo do nada.

Quase todos os dias eu recebo questinamentos, ‘Por que nós temos medo do nada?’

Você tem medo porque você não conhece o nada. E você tem medo apenas porque intelectualmente avalia, ‘Qual é o sentido? Se em meditação você tem que desaparecer, então é melhor permanecer na mente.’ Pelo menos você é – talvez ilusoriamente, talvez seja apenas uma idéia, mas pelo menos você é. Qual é o sentido de fazer todo esse esforço sem esforço só para desaparecer no nada?

A mente simplesmente faz você se precaver quanto a ir além dos limites da mente, porque além desses limites, você não é mais. Essa será a morte maior.

Um Gautama Buda morre da forma maior, você morre apenas temporariamente. Talvez por apenas poucos minutos, poucos segundos, e você entra num outro útero. Alguns idiotas estão sempre fazendo amor ao redor do mundo, nas vinte e quatro horas, e você não tem que viajar longe, ali mesmo na vizinhança.

Direto, vinte e quatro horas, milhões de casais estão fazendo amor, seja qual for o casal mais próximo, aqui você morre e ali você nasce. O intervalo é muito pequeno.

Mas um homem iluminado, um homem que veio a conhecer o seu nada, o seu não-self, o seu anatta, simplesmente desaparece no cosmos.

Mente é medo, e isto parece lógico, óbvio. Qual é o sentido? Por que se deve fazer uma tal coisa na qual se desaparece?

Goutama Buda foi questionado repetidas vezes, ‘Você é um companheiro estranho. Nós viemos aqui para realizar o nosso self e a sua meditação é para DESrealizar o nosso self.’

Sócrates era um grande gênio, mas confinado à sua mente; ‘Conheça a si mesmo.’ Não existe self algum para ser conhecido. Este é o manifesto Zen para o mundo. Nada há para se conhecer. Você simplesmente tem que ser um com o todo. E não há necessidade alguma de ter medo...

Apenas pense por um momento: quando você não era nascido, havia alguma ansiedade, alguma preocupação, alguma angústia? Você não estava ali, não havia problema algum. Você é o problema, o começo do problema, e depois, à medida que você cresce, mais e mais problemas... Mas, antes do seu nascimento, havia algum problema?

Continuamente, os mestres Zen perguntam aos novatos, ‘Onde você estava antes de seu pai nascer?’ Uma questão absurda, mas de imensa significância. Eles estão lhe perguntando. ‘Se você não estava, não havia problema. Então, qual é a preocupação?’ Se a sua morte se torna a morte maior e todos os limites desaparecem, você não estará ali, mas a existência estará. A dança estará ali, o dançarino não estará. A canção estará ali, mas o cantor não estará.

Isto somente é possível de experienciar, entrando mais fundo, além da mente, até a exata profundidade do seu ser, até a exata fonte da vida, de onde a sua vida está fluindo. De repente você percebe que a imagem de si mesmo era arbitrária. Você é sem imagem, você é infinito. Você estava vivendo numa gaiola. No momento em que você percebe que as suas fontes são infinitas, de repente a gaiola desaparece e você pode abrir as suas asas pelo céu azul e desaparecer. Esse desaparecimento é anatta, esse desaparecimento é liberdade de si mesmo. Mas isso é possível, não através do intelecto, isso é possível através da meditação. Zen é um outro nome para meditação. (...)

Uma vez que você conheça meditação, você não tem que seguir alguém. Você tem seus próprios olhos abertos e você tem a sua luz exatamente à sua frente, mostrando o caminho, e tudo o que é certo e tudo o que é bom acontece sem escolha. Não é que você esteja fazendo aquilo, você não consegue fazer de outra maneira.

Por seiscentos anos na China, o budismo era apenas um exercício intelectual, uma boa ginástica. Mas quando Bodhidharma entrou na China, ele mudou toda a idéia a respeito do Zen. As pessoas estavam falando sobre o Zen como se ele fosse uma outra filosofia, o que não é; como se ele fosse uma outra religião, o que não é. Ele é uma rebelião contra a mente e todas as suas religiões e filosofias são parte da mente.

Esta é a única rebelião contra a mente, contra o self, a única rebelião para retirar todos os limites que o aprisionam e dar um salto quântico no nada. Mas esse nada é muito vivo. Ele é vida, ele é existência. Ele não é uma hipótese. E quando você dá o salto, a primeira experiência é que você está desaparecendo. A última experiência é que você se tornou o todo.”

Osho – The Zen Manifesto – capítulo 1
Tradução: Sw. Bodhi Champak

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