09:12 | Author: Mundo Zazen


Em primeiro lugar, pratiquemos a “atenção ao corpo”. Tomamos consciência do pensamento: “Eu sou o corpo”, isolando-o de todo contexto de apegos e de desejos que lhe são habitualmente associados. Permanecemos sem outro pensamento e se ele aparecer, voltamos a atenção ao corpo imediatamente. Mantemos uma presença no corpo ao qual nada acrescentamos, sem distração.

(meditação)

Tomemos, agora, “a atenção às sensações”. Pode ser uma sensação de frio ou de calor, uma cãibra, uma dor em alguma parte do corpo ou uma comichão, uma sensação agradável ou desagradável. Qualquer que seja a sensação sentida, a mente fica totalmente fixa nela, sem seguir nenhum outro pensamento. Não se está obrigado então a limitar-se a uma sensação: se uma desaparece e outra surge, passamos de uma a outra. Não se procura selecionar uma sensação ou outra, mas concentra-se naquela que é mais forte: pode-se, por exemplo, sentir particularmente o calor, depois experimentar uma comichão. Abandonamos então a primeira pela segunda.

(meditação)

O terceiro tipo de completa atenção é “a atenção à mente”. Não se refere neste caso a um objeto exterior, mas ao que se produz interiormente, a todas as expressões da mente, os pensamentos, as emoções, as lembranças etc. a meditação consiste simplesmente em estar consciente dessas produções mentais sem, entretanto considerar o seu conteúdo. Se a mente permanece em um estado de repouso e paz, fica-se consciente desse estado sem fazer nada de particular. Quando os pensamentos se manifestam, não se os encoraja, particularmente se eles são bons, gerados, por exemplo, pela devoção ou a compaixão, do mesmo modo que não se procura afastá-los se eles são negativos, provocados pela irritação, a raiva, o desejo etc. está-se somente consciente do que se passa, sem intervir, seja para manter um pensamento, seja para interrompê-lo.

(meditação)

Enfim, o quarto modo de atenção é dirigido aos fenômenos exteriores, tais como nossos diferentes sentidos os percebem. Na verdade, a totalidade do que permite a manifestação, a saber, a mente que percebe os órgãos dos sentidos e os objetos exteriores, tudo isso constitui os fenômenos. Nesse tipo de meditação, dirige-se a atenção para os objetos percebidos, sem acrescentar nenhum julgamento. Durante os exercícios de meditação que fazemos agora, por exemplo, o barulho dos carros que chega da rua. Pode-se tomá-lo como objeto da atenção. Não se pensa que se trata de um barulho agradável ou desagradável, que é inconveniente ou não. Contenta-se em estar presente no barulho.

(meditação)

Vimos agora o conjunto dessas quatro completas atenções: ao corpo, às sensações, à mente, e aos fenômenos. Nesses exercícios, o mais importante é a própria mente. Ainda uma vez, lembremo-nos que não nos referimos aqui a alguma coisa limitada por uma forma, uma cor, um volume ou uma localização; não se pode, por exemplo, dizer: “Minha mente é alta ou baixa”; não são características que lhe podem ser aplicadas. A mente é o que conhece, o que sente, o que produz pensamentos, as percepções e os sentimentos. Na meditação não nos preocupamos com os pensamentos que já foram produzidos no passado, nem por aqueles que serão produzidos no futuro, mas unicamente pelo presente da mente: esta não tem lados, frente e atrás, não tem limites, cor etc. Ela é vazia. Não é uma realidade que possa ser definida. Meditemos então, agora, permanecendo simplesmente na mente indefinível.

(meditação)

Essas meditações levam a uma mudança de percepção que temos de nós mesmos: nosso corpo é visto como uma bolha na superfície da água, a palavra parece um eco sem realidade própria, e os pensamentos parecem uma miragem. Quanto ao mundo exterior, não aparece para nós como um conjunto de condições nocivas à prática. Adotar a visão, a meditação e a ação do hinayana é tomar um caminho muito seguro que leva infalivelmente à liberação. Ele permite desvencilhar-se do sofrimento desta existência e conduz ao estado de arhat. Seu valor é, portanto muito grande.

Kalu Rinpoche – Vancouver, junho de 1982

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