07:55 | Author: Mundo Zazen


Combinar o estudo e a prática como parte da estrutura da fé Budista é uma abordagem que ressoa a própria tradição Budista. Muitas formulações nos textos enfatizam a importância de combinar essas duas asas do caminho Budista num equilíbrio saudável. Uma, encontrada nos suttas, diz que quando uma pessoa adquire fé, ela deve se aproximar de um mestre para aprender a doutrina. Tendo ouvido a doutrina, ela a retém na mente; aí, ela deve dominá-la verbalmente para imprimi-la com firmeza na mente; em seguida, ela examina o significado para ver como os ensinamentos se relacionam com a própria experiência individual, como eles se aplicam à própria vida. Por fim, ela se esforça para concretizar os ensinamentos e quando a prática amadurecer, ela enxergará a verdade última por ela mesma. Outra, num esquema mais simples, encontrada nos comentários Budistas, fala das três principais pilastras no desenvolvimento do caminho: estudo, prática e realização. Primeiro a pessoa estuda a doutrina, depois a coloca em prática e por fim realiza a verdade.

Ambas as formulações sugerem que o estudo do Dharma é a base para a prática e a realização. Quanto de estudo é necessário irá variar de pessoa para pessoa e de uma tradição para outra. Não pode haver regras rígidas e imutáveis que se apliquem a todos. Sem dúvida, algumas pessoas podem praticar de modo eficaz e obter sucesso com o mínimo de conhecimento doutrinário. Outras precisam de mais conhecimento, enquanto que outras, ainda, terão a inclinação natural de estudar o Dharma de forma ampla e profunda. Isto poderá auxiliar na própria prática delas e torná-las mais eficientes no ensino do Dharma. Portanto, o conhecimento amplo do Dharma, quando apoiado pela fé e conectado com a prática, tem valor porque ele não só amplia a própria compreensão como acentua a eficácia como mestre. O estudo em si também pode se tornar um empreendimento inspirador e que enaltece, abrindo os próprios olhos para a vastidão e profundidade do domínio do Dharma.

Bhikkhu Bodhi

Dukkha deve ser visto como aquilo que na verdade é, isto é, o melhor ponto de início para a nossa jornada espiritual. A menos que tenhamos conhecido, tenhamos visto dukkha, não teremos motivo para praticar. Se não tivermos reconhecido a abrangência de dukkha, não teremos interesse de nos livrar das suas garras.

A origem dependente transcendente começa com a consciência e conhecimento do inescapável sofrimento da condição humana. Ao refletir sobre isso, não mais tentaremos encontrar uma saída através de intentos mundanos, seja através da obtenção de mais informações ou conhecimentos ou de mais riqueza, ou mais posses, ou mais amigos. Ao ver dukkha como uma condição da qual não se pode escapar, atada à existência, não nos sentimos mais oprimidos por ela. É certo que existem trovões e relâmpagos, assim não tentamos negar o tempo. Tem que haver trovões, relâmpagos e chuva, para que possamos cultivar alimentos.

Com dukkha é o mesmo. Sem isso, a condição humana não existiria. Não haveria renascimento, envelhecimento e morte. Ao ver dukkha dessa forma, a nossa resistência se desfaz. No momento em que não houver mais repulsa em relação a dukkha, o sofrimento diminuirá muito. É a nossa resistência que cria o desejo de nos livrarmos de dukkha, o que só faz com que ele piore.

Ayya Khema


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