12:18 | Author: Mundo Zazen


Sob a frondosa árvore que mais tarde foi chamada de Bodhi, acomodou seu corpo na posição de lótus, as mãos no mudra cósmico. Esvaziou o pulmão de ar, colocou a ponta da língua no palato, atrás dos dentes frontais, respirando normalmente pelas narinas ficou apenas sentado.

Alguns dizem que era predestinado e por isso foi tão fácil obter a Iluminação. Outros dizem que não. Passou pelo que todos nós passamos se nos pusermos a sentar. Pensamentos iam e vinham, preocupações com o pai que abandonara sem herdeiros, a mãe que o criara como se fora seu, a esposa que deixara no leito quente de amor, o filho recém nascido que por certo precisaria do pai. Como estaria o reino e o povo e os problemas gerais?

Pensava mas percebia o pensamento ao se formar.

Pensava e não se movia.

Dizem que um pássaro fez o ninho em sua cabeça, que as aranhas teceram teias de seus cabelos ao chão, que as ervas cresceram entre suas pernas e braços. Imóvel.

Os demônios detestam Zazen. Um desenho de alguém em zazen já é para eles um horror. Quanto mais alguém sentado na postura de meditação. Vieram então provocá-lo com coisas sensoriais. Mulheres lindas, violas, canções, comidas, afeições, bebidas e outras coisas. Ficou sentado e imóvel. Tudo um sonho, uma bolha. Tudo desaparecia sem a sua participação.

Mara, o rei dos demônios, vendo que nada o movia resolveu ir pessoalmente remover esse jovem da jornada à Sabedoria.

Jogou bolas de fogo que como flores caiam, tentou de todas maneiras e nada o atingia. Desarvorado se foi na manhã do oitavo dia.

Eis que ao ver a estrela matutina os olhos completamente se abrem e de repente tudo compreendeu. Sidarta Gautama exclamou:
”Eu e todos os seres da Grande Terra nos tornamos o Caminho”.

Da alegria do Grande Despertar surgiu a dúvida: “alguém entenderá?”

Dos céus ouviu a voz, de Brahma, que o encorajava:
”Vá e faça como fizeram todos os Budas. Use meios expedientes para que todos compreendam o que você compreendeu.”

Desceu então a montanha, solene e tranquilo caminhava. Sorria ao vento, às folhas, á brisa, ao sol da manhã. Pássaros cantavam cantigas de louvor à toda vida.

Antigos companheiros de práticas severas, jejuns e outros ascetismos haviam combinado de não o cumprimentar. Afinal havia traído os costumes locais. Comera o arroz doce na hora de jejuar.

Sidarta entretanto caminhava com tal certeza de passo que dele todos logo se aproximaram:
- O que foi que compreendeu? O que foi que aconteceu?

Lavaram seus pés com cuidado e depois de muita insistência ele fez o seu primeiro Sermão, no Parque dos Cervos.

Todos o chamaram de Buda, o Iluminado. Sua fama foi crescendo e foi se espalhando, alunos e aprendizes vinham de todas as partes. Igualmente os acolhia e sem nada esconder ensinava que a vida tem sofrimento, tem dor, tudo tem causa, interligação. Mas há também o Nirvana, de paz e sabedoria, tranqüila compreensão superior. E um Caminho que deve ser por todos percorrido, de oito aspectos fundamentais para o encontro com a Verdade.

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