07:57 | Author: Mundo Zazen


"Ele me mostrou a luminosidade do mundo."

Assim foi como meu mestre, Ajaan Fuang, certa vez descreveu o seu débito para com o seu mestre, Ajaan Lee. As suas palavras me pegaram de surpresa. Eu havia começado a estudar com ele fazia pouco tempo, recém-saído da escola onde havia aprendido que os Budistas sérios adotavam uma visão negativa, pessimista do mundo. No entanto, aqui se encontrava um homem que havia entregado a sua vida à prática dos ensinamentos do Buda, falando da luminosidade do mundo. É claro que por "luminosidade" ele não estava se referindo aos prazeres das artes, comida, viagens, esportes, vida em família ou qualquer uma das demais seções do jornal de Domingo. Ele se referia a uma felicidade mais profunda que vem de dentro.

Você provavelmente ouviu o rumor de que "a vida é sofrimento" como sendo o primeiro princípio do Budismo, a primeira nobre verdade do Buda. É um rumor com boas credenciais, disseminado por acadêmicos de respeito e mestres do Dhamma, mas apesar disso é um rumor. A verdade sobre as nobres verdades é muito mais interessante. O Buda ensinou quatro verdades - não uma - a respeito da vida: existe o sofrimento, existe uma causa para o sofrimento, existe um fim para o sofrimento e existe um caminho de prática que dá um fim ao sofrimento. Essas verdades, tomadas em conjunto, estão muito longe de serem pessimistas. Elas são uma abordagem prática para solucionar um problema - a maneira como um médico encara uma enfermidade ou um mecânico, um motor defeituoso. Você identifica um problema e investiga as suas causas. Depois, então, você dá um fim ao problema eliminando as suas causas.

O que é especial na abordagem do Buda é que o problema que ele ataca é o sofrimento humano na sua totalidade, e a solução que ele oferece é algo que os seres humanos podem fazer por si mesmos. Da mesma forma como um médico que conhece a cura infalível para o sarampo não teme o sarampo, o Buda não teme nenhum aspecto do sofrimento humano. E, tendo experimentado a felicidade que é completamente não condicionada, ele não teme apontar o sofrimento e estresse inerentes em lugares que a maioria de nós não consegue ver - nos prazeres condicionados aos quais nos apegamos.

Thanissaro Bhikkhu

O Buda viu que o prazer e a felicidade dos prazeres comuns não são duradouros. Ele queria o prazer e a felicidade, que não tivesse um desenvolvimento igual ao dos prazeres mundanos, que é aquilo que a maioria das pessoas querem. Foi por isso que ele abandonou a sua família e amigos para viver isolado. Ele disse para si mesmo, ‘Eu vim só quando nasci e irei só quando morrer. Ninguém me contratou para nascer e ninguém irá me contratar para morrer, então não devo nada a ninguém. Não há ninguém a quem eu deva temer. Se em todas as minhas ações, houver alguma que seja correta do ponto de vista do mundo, mas incorreta do ponto de vista da verdade – e incorreta do ponto de vista do meu coração – não existe nada que faça com que eu queira realizá-la.’

Então ele se perguntou: ‘Agora que nasci como um ser humano, qual é a coisa mais sublime que você deseja neste mundo?’ Ele então formulou as seguintes condições para a resposta: ‘Ao responder você tem de ser verdadeiramente honesto e sincero com você mesmo. E uma vez que você tiver respondido, você terá de manter a sua resposta como uma lei imutável na qual você tenha afixado o seu selo, sem permitir que um segundo selo seja afixado por cima. Então o que você quer, e como você quer isso? Você tem de dar uma resposta honesta, entendeu? Eu não aceitarei nada falso. E uma vez que você tiver respondido, você tem de permanecer fiel à sua resposta. Não traia a si mesmo.’

Quando ele teve certeza da resposta, ele disse para si mesmo, ‘Eu quero apenas a felicidade e o prazer mais sublimes e seguros: a felicidade que não se transformará em alguma outra coisa. Fora disso, não quero mais nada do mundo.’

Uma vez dada essa resposta, ele se ateve a ela firmemente. Ele não permitiu que nada que pudesse causar o mínimo de dor ou distração no seu coração pudesse ali afixassar-se como uma mácula. Ele manteve um esforço persistente com toda a sua força para descobrir a verdade, sem recuar, até que finalmente ele despertou para essa verdade: a realidade da Libertação.

Ajaan Lee Dhammadharo

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