07:41 | Author: Mundo Zazen


Para o Budismo, a dignidade inata dos seres humanos não provém da nossa relação com um deus todo poderoso ou por sermos dotados de uma alma imortal. Provém particularmente da posição privilegiada da vida humana dentro do vasto espectro de seres sensientes. Longe de reduzir os seres humanos a frutos do acaso, o Buda ensina que o reino humano é um reino muito especial estando exatamente no centro espiritual do cosmos. O que faz com que a vida humana seja tão especial é a capacidade de escolha moral que os seres humanos têm, e que não é compartilhada por nenhum outro tipo de ser. Embora essa capacidade esteja inevitavelmente sujeita a fatores limitantes, nós sempre possuímos, no momento presente, uma margem de liberdade interna que nos dá o poder de mudarmos a nós mesmos e assim, mudar o mundo.

No entanto, a vida no reino humano está longe de ser aconchegante. Pelo contrário, ela é inconcebivelmente difícil e complexa, abundante em conflitos e ambigüidades morais, oferecendo um enorme potencial para ambos, o bem e o mal. Essa complexidade moral pode converter a vida humana numa luta verdadeiramente dolorosa, mas ela também faz do reino humano o terreno mais fértil para plantar as sementes da Iluminação. Durante a longa jornada das nossas vidas, são esses entroncamentos ambíguos e perturbadores que nos oferecem a oportunidade de escolha entre nos elevarmos aos píncaros da grandeza espiritual ou cairmos até as profundezas mais degradantes. As duas alternativas se nos apresentam a cada momento e a escolha entre uma e outra depende unicamente de nós.

Bhikkhu Bodhi

O Buda recomendou três critérios ao fazermos julgamentos morais. O primeiro podemos chamar de princípio da universalidade – agir em relação aos outros do mesmo modo que gostaríamos que eles agissem conosco. O segundo podemos chamar de princípio conseqüencial – para determinar se um comportamento é benéfico ou prejudicial é necessário avaliar as conseqüências tanto no agente como no paciente, ou seja, um comportamento que cause algum tipo de dano quer seja no agente ou no paciente deve ser evitado. O terceiro podemos chamar de princípio instrumental – um comportamento é benéfico se ele nos conduz para mais perto do objetivo ou prejudicial, se nos afasta dele. O objetivo último no Budismo é nibbana, um estado de pureza e paz mental, e tudo que conduz a esse objetivo será benéfico.

Essa abordagem utilitária em relação à ética fica ainda mais clara ao observarmos que o Buda usava com muito mais freqüência os termos ‘benéfico ou hábil’ e o seu oposto ‘prejudicial ou inábil’ no lugar de bom ou mal. Outro elemento importante na avaliação do comportamento é a intenção. Se uma ação está fundamentada em boas intenções, por exemplo, na generosidade e na compaixão, então, ela será considerada hábil. Portanto, avaliar o comportamento no Budismo requer mais do que simplesmente obedecer a certas regras ou mandamentos, exige que tenhamos plena consciência dos nossos pensamentos, palavras e ações, bem como dos nossos objetivos e aspirações.

Michael Beisert


Category: |
You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.
Bookmark and Share

0 comentários:

:)) ;)) ;;) :D ;) :p :(( :) :( :X =(( :-o :-/ :-* :| 8-} :)] ~x( :-t b-( :-L x( =))

Postar um comentário

Página Anterior Próxima Página Home
subir